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Lácteos e Saúde da Mulher

O consumo de quantidades adequadas e recomendadas de produtos lácteos, pela sua rica composição nutricional e seu alto teor de micronutrientes, contribui para a saúde das mulheres ao longo das fases da vida.


No Brasil, atualmente, existem aproximadamente 4,8 milhões de mulheres a mais do que a população masculina. Essa enorme parcela da população corre mais risco de diversas doenças e condições relacionadas à dieta, pois suas necessidades nutricionais são naturalmente mais específicas.

O cálcio e a vitamina D são os nutrientes mais importantes para a saúde óssea, e deficiências em seu consumo podem levar a osteoporose, que acomete majoritariamente o sexo feminino. Isso ocorre devido a ausência do hormônio feminino estrogênio, geralmente na fase pós-menopausa, levando a uma redução na formação óssea. Além disso, pesquisas demonstram que há um efeito deletério no incremento de massa óssea entre usuárias de anticoncepcionais orais ao longo da adolescência.

A osteoporose é uma patologia caracterizada pela diminuição progressiva da densidade mineral óssea, além de também promover comprometimento da própria microestrutura óssea. A osteoporose é a doença óssea metabólica mais comum entre os idosos, levando ao enfraquecimento dos ossos, e aumentando também os riscos de fraturas.

A principal forma de prevenção a osteoporose é o adequado consumo de cálcio e de vitamina D ao longo da vida, sendo os lácteos uma excelente fonte alimentar desses micronutrientes. Em mulheres com mais de 50 anos, é recomendado e seguro o consumo de até 1.200mg de cálcio ao dia, preferencialmente por meio da dieta, especialmente com o consumo de leite e derivados. Quando há impossibilidade de fazê-lo por meio de fontes nutricionais, é recomendável a administração de suplementos de cálcio, com avaliação de riscos e benefícios.

O cálcio é necessário para construir e manter os ossos fortes, além de desempenhar papel na comunicação saudável entre o cérebro e outras partes do corpo. Além disso, possui importante papel na contração muscular, e na função cardiovascular.

As proteínas também são consideradas um nutriente de relevo para a dinâmica da saúde óssea do público feminino. A ingestão proteica insuficiente na dieta proporciona uma maior redução não só da massa muscular, como também da massa óssea. Associando-se à redução dos níveis relativos da quantidade protéica do corpo, também foi possível verificar que a deficiência protéica ocasiona o espessamento dos ossos principalmente das vértebras e os ossos longos. A proteína é um macronutriente encontrado em abundância no leite e seus derivados, evidenciando portanto grande importância dos lácteos na prevenção a doenças osteometabólicas, seja por seu alto teor de cálcio, vitamina D, ou seu elevado teor proteico.

O sobrepeso e a obesidade também são problemáticas de grande relevância no que tange o público feminino. Segundo levantamento realizado pelo VIGITEL (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, 2012), 17% da população brasileira está obesa, sendo a maior parcela do sexo feminino.

Sabe-se que o sobrepeso/obesidade está associado a uma série de doenças que afetam mulheres, como doenças cardíacas, diabetes tipo 2, e alguns tipos de câncer. Estudos demonstram que mulheres obesas apresentam resultados positivos na perda de peso ao consumir três porções de produtos lácteos por dia. Existem fortes evidências de que a exclusão dos lácteos na tentativa de perder peso pode ser prejudicial à saúde feminina, e contraproducente aos seus esforços em perder peso. O leite, sobretudo o integral, é altamente rico em micronutrientes e macronutrientes. Por ser uma fonte alimentar extremamente rica, proporciona grande saciedade, fazendo com que a ingestão calórica seja reduzida, observando a alimentação diária em sua totalidade.

Os benefícios do leite no controle do peso corporal não param por aí. Estudos observaram relação inversa entre a ingestão de alimentos ricos em cálcio e os parâmetros de obesidade. A ingestão adequada de cálcio promove a supressão de hormônios calcitrópicos (hormônios que regulam o metabolismo ósseo) e do cálcio intracelular. Dessa forma há menos lipogênese (síntese de gordura) e mais lipólise (perda de gordura), justificando portanto a capacidade do cálcio de aumentar a oxidação de gordura.

Vale a pena ressaltar também o papel do consumo de lácteos no manejo dos sintomas da Síndrome pré-menstrual (SPM). A SPM manifesta-se por sintomas físicos, afetivos e comportamentais durante a fase que antecede em até duas semanas o ciclo menstrual. Há variação de intensidade e grau de repercussão, podendo gerar desde uma mastalgia (sensibilidade e dor nas mamas) isolada à impossibilidade de realização das atividades diárias.

Sabe-se que níveis insuficientes de vitamina D influenciam diretamente no surgimento de sintomas da SPM relacionados especificamente a sensibilidade mamária e dores generalizadas. Além disso, resultados de estudos indicam que o aumento da ingestão adequada de cálcio alivia substancialmente os sintomas da SPM. A ingestão de cálcio e vitamina D a partir de fontes alimentares ricas, como por exemplo leite, queijos e iogurtes, está, portanto, associada com menos sintomas de SPM.

Os lácteos probióticos também podem ser grandes aliados na saúde da mulher, prevenindo contra diversos tipos de infecções urogenitais. Seu consumo, seja por meio da alimentação, ou por meio de suplementação, representa uma alternativa terapêutica interessante na promoção da saúde vaginal, e manejo de sintomas advindos de infecções bacterianas. A maioria das infecções que acometem as mulheres, como as vaginoses bacterianas, ocorrem devido ao desbalanço da microbiota vaginal, gerando diminuição de bactérias benéficas e aumentando a população de bactérias patogênicas. O consumo de alimentos probióticos (como leites fermentados, queijos, iogurtes e bebidas lácteas) pode permitir que os microrganismos promotores de saúde acessem novamente a microbiota vaginal, que é naturalmente habitada por este gênero microbiano.

O consumo de probióticos por meio da alimentação, ou por meio de suplementação, representam uma alternativa terapêutica interessante na promoção da saúde vaginal, e manejo de sintomas advindos de infecções bacterianas.

O consumo de quantidades adequadas e recomendadas de produtos lácteos melhora a ingestão de nutrientes das mulheres e pode reduzir o risco de várias doenças crônicas e outras condições. Sua rica composição nutricional e seu alto teor de micronutrientes contribuem para a saúde feminina em diversos aspectos.



Referências:


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