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Benefícios do consumo de leite e seus derivados na infância

A infância é uma importante fase de desenvolvimento, sendo os hábitos alimentares saudáveis desse momento da vida precursores de uma boa saúde, prevenindo obesidade e o desenvolvimento de outras possíveis doenças, principalmente as DCNT (doenças crônicas não transmissíveis). Nesse cenário, o leite e seus derivados desempenham um importante papel na boa qualidade da dieta infantil.


O leite e seus derivados são ricos em nutrientes como riboflavina, iodo, potássio, magnésio, vitamina A e vitamina B12, além de ser uma importante fonte de cálcio na alimentação e possuir proteínas de alto valor nutricional. Os produtos lácteos dos países desenvolvidos contribuem com mais de 45% da ingestão de Ca das crianças, bem como 34% de iodo, 20% de K, vitamina B12 e 20% de vitamina A. Um ponto muito benéfico do leite, que é importante ressaltar, refere-se ao fornecimento de vários micronutrientes essenciais, sem possuir fatores antinutricionais, que são substâncias que atrapalham a absorção e utilização dos nutrientes durante a digestão, como fitatos e oxalatos.

Além do desenvolvimento fetal, a infância é o período que ocorre o maior e mais rápido crescimento e desenvolvimento. Esse crescimento é contínuo, com variações de ritmo ao longo da infância, ou seja, crescimento acelerado durante a primeira infância, crescimento estável durante os anos pré-escolar e escolar, e crescimento acelerado durante a puberdade, sendo a altura e o conteúdo mineral ósseo, marcadores de crescimento bem conhecidos. A alimentação do indivíduo é importante para estabelecer estratégias de prevenção e intervenção em problemas relacionados a esses fatores. A fisiologia justifica o consumo de laticínios no período pediátrico, porque são boas fontes de energia, macronutrientes e micronutrientes (com já citado, é rico em proteínas, fósforo, magnésio, vitamina D e, mais importante, cálcio) para crescimento e desenvolvimento. Existe um limiar na ingestão de cálcio, que se excedida não afeta a massa óssea, mas se o consumo estiver abaixo do limite resulta em saldo negativo, ocasionando problemas.

Estudos mostram que o efeito do leite no crescimento linear é mediado principalmente através da estimulação de IGF-1 pelas proteínas do leite, em particular a caseína. O IGF-1 é uma proteína produzida no fígado em resposta ao hormônio de crescimento, sendo essencial para o crescimento longitudinal ósseo, maturação esquelética e aquisição de massa óssea durante a infância, bem como a manutenção da matriz óssea na vida adulta.

É bem consolidado que a desnutrição na infância pode levar a uma redução acentuada no crescimento linear (atraso no crescimento), aumentando o risco de desenvolvimento mais lento, desenvolvimento cognitivo de curto prazo e, na idade adulta, hiperglicemia, hipertensão, lipídios elevados no sangue e obesidade. Dessa forma, uma série de estudos mostram que o leite é um alimento chave para reduzir o atraso do crescimento em crianças.

Existem informações equivocadas, sobre a relação entre o consumo de leite e obesidade, devido ao teor de gordura presente nos leites integrais. Estudos mostram que o consumo do leite integral foi associado a menores riscos de sobrepeso ou obesidade em relação ao desnatado, na primeira infância. Da mesma forma, foi observado uma tendência para associações de consumo de leite integral, com resultados cardiometabólicos mais favoráveis, em relação ao leite desnatado. A frequência do consumo de leite na infância não foi associada a nenhuma tendência particular relacionada à obesidade ou a riscos cardiovasculares. Embora o leite integral tenha valor energético mais alto e poderia plausivelmente levar a adiposidade excessiva, o consumo de leite também está associado ao aumento da saciedade, reduzindo o aporte geral de energia ou substituindo escolhas alimentares ruins na dieta infantil. Em conclusão, há pouca evidência para apoiar a preocupação de limitar o consumo de leite e outros produtos lácteos para crianças sob o argumento de que podem promover a obesidade.

Há evidências crescentes de que as dietas no início da vida podem influenciar a saúde nas fases mais avançadas da vida. Há boas evidências que o leite e os alimentos lácteos são importantes fontes de nutrientes, alguns dos quais são particularmente importantes em certas fases da vida. O leite é conhecido por conter proteína de alta qualidade com todos os aminoácidos indispensáveis, incluindo a lisina, que muitas vezes é deficiente em dietas tradicionais à base de cereais de populações agrícolas. Vários autores consideram o leite como a melhor fonte de proteína conforme as necessidades essenciais e pontuações de aminoácidos de digestibilidade de proteína. Além das proteínas do leite afetarem positivamente o crescimento linear em crianças saudáveis, ainda contribuem para funções imunológicas eficazes, aumentando a síntese proteica de fase aguda em resposta a infecções. O leite também contém compostos bioativos, exibindo uma ampla variedade de funcionalidades fisiológicas, incluindo transporte mineral e atividades promotoras do crescimento.

Desde os primeiros estudos sobre suplementação dietética com leite, a comunidade científica continua a estudar seu potencial benefício, visando adotar medidas de saúde pública e políticas para otimizar o crescimento e desenvolvimento pediátrico. Atualmente, em países desenvolvidos, crianças menores de 9 anos são recomendadas a consumir cerca de 500 mL de produtos lácteos.

Conclui-se que o leite e seus derivados são de extrema importância na infância, auxiliando no crescimento e desenvolvimento, no sistema imunológico e tornando a dieta infantil nutricionalmente rica.



Referências:

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